quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012




CAFÉ FILOSÓFICO  
Existencialidade: uma reflexão sobre a permanência do ser a partir da filosofia clínica de Lucio Packter.   

Palestrante:  Professor Albino Ventura.
Licenciado em filosofia pela Faculdade Paulo VI
Especialista em filosofia pela USP
Especialista em filosofia clínica pelo Instituto de Filosofia Clínica Lúcio Packter
Filósofo clínico 
Data:31.03.12 
Horário: Das 10h às 12.30h. 

Local: Anfiteatro Orlando Digenova – Centro Cultural
Francisco Carlos Moriconi, cito a rua  Benjamin Constant, 682 , centro Suzano-SP 
Inscrições somente pelo e-mail:  philosopho1@terra.com.br
(Dados: nome, e-mail e telefone para contato)
VAGAS LIMITADAS
ENTRADA FRANCA

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Religião no Brasil in centelha: ensaio, realidades e a busca de uma identificação religião popular.

O trabalho de análise da filosofia da religião vai tornando-se cada vez mais árdua á medida que este campo se depara com a questão da realidade de cada fenômeno religião em si. Neste processo há de perceber que em particularidades, estes não são iguais, tendo construtos distintos que em si carregam características de suas raízes nativas. Tratando-se do Brasil como nação e solo fértil em termos culturais, sabe-se que este é um país religioso por natureza. Primeiro por se tratar de um território que a priori fora colonizado por uma nação católica: Portugal. Outra questão seria que desde os primórdios do Brasil colônia, a mão de obra escrava provinha dos indígenas nativos ou oriundos das terras africanas transportados pelos navios negreiros que traziam consigo toda uma estrutura religiosa de suas heranças culturais. Em último lugar com a globalização e o rompimento de fronteiras, cada vez mais existe a comunicação entre brasileiros com etnias de outros países, o que facilita um diálogo no âmbito religioso e a troca de caracteres neste campo.   Com essa interação entre os povos vizinhos a assimilação de resquícios sócio-religiosos, propõe-se uma religião sincretista e não ecumenista, que agregue a todos. É notório apontar que apesar de análogo, existe uma diferencia entre ambos os casos. Apesar de estarem no campo religioso consistem em características próprias. Dentro de um entendimento lato o primeiro seria a junção de dois ou mais elementos culturais (religiosos) antagônicos onde um destes é conservado seus sinais originais. O segundo denota como um movimento que busca a união de todas as igrejas Cristãs em uma só.
 Neste âmbito é contestável dizer que o Brasil (ao logo de seus 511 anos)  assimilando posições sócio-religiosas,  suma teria só um eixo-base, a própria religião em essência, preservando um núcleo, e tendo variações fenomenológicas.   Também se pode identificar que Brasil como um país em si, identificasse como uma nação “dualista” em termos de expressões confessionais históricas. Identificasse em primeira instancia, por um país de religião oficial (Cristianismo-católico), com uma liturgia e uma teologia bem definida, e em segunda instancia identificasse um país cuja religião seria popular onde esta elabora seus ritos e símbolos como forma de expressão religiosa.
Talvez a questão do sincretismo brasileiro devesse a procura da expressão mística na experiência religiosa por razões individualistas e não coletivas.
Parece que quanto mais oculto, secreto, misterioso for á experiência religiosa, mais esta chamará a atenção do individuo.
Entende-se por místico como uma expressão religiosa que permite ao “crente” uma relação imediata com “transcendente” e interaçãoOutra definição pode ser dada como um sentido oculto; esotérico; espiritualidade alegórica. Sendo assim misticismo tem uma inclinação para uma crença religiosa e dogmática de problemas transcendentais e misteriosos. Por esse motivo pode-se dizer que não existe o fator místico sem o religioso, que exerce um elemento fundamental no contexto brasileiro, dando-lhe vida num conceito de ligação ao transcendental. Pode-se citar vários exemplos no tocante da religião e o místico no povo brasileiro, desde o folclore até as formas de religiões consideradas como oficiais em expressão. Em Psicologização das religiões, Deis Siqueira aponta como este fenômeno abrange cada vez mais o solo nacional nas mais diversas camadas. Vejamos a leitura que fez da capital brasileira (Brasília) a exemplo:

“Brasília nasceu a partir de dois grandes mitos de criação: a Cidade Utópica e a Terra Prometida. O primeiro está inscrito no planejamento urbano e na arquitetura futurista do Plano Piloto: aí haveria divisões de classe social. Os fundadores da cidade estavam imbuídos do sonho e da missão de inaugurar um novo tempo e uma nova civitas para o Brasil, fundada no belo, na igualdade e na universalidade... Não nos cabe aprofundar, no momento, os motivos que não permitiriam o mito futurista. Tampouco podemos argumentar com os místicos-esotéricos em que medida região seria predestinada... O Fato é que pessoas continuam a chagar na região em busca da Terra Prometida ou da Capital do terceiro Milênio. Lenda Tornou-se fato... A profecia do Santo foi se materializando. Na Capital e na Região, há um número cada vez maior de pessoas e de grupos que estão tentando construir uma nova consciência religiosa... na construção de uma nova visão, holística, do mundo”

A interpretação de Deis alega que com a construção de Brasília, a exemplo, não constitui uma evolução progressista como nação independente apenas ao que se segue, mas que dos olhares de alguns, a cidade foi considerada com ícone de uma nova era do qual religião representada pelo místico a favorecer como algo singular, capaz de emanar algum poder que resultará na “espiritualidade” das pessoas. Daí do êxodo para aquela região em particular. Aponto que é um exemplo das mais variadas formas de expressão de religião no Brasil. Entendesse segundo o IBGE que o Brasil é caracterizado pelos seguintes segmentos religiosos católicos, evangélicos tradicionais, neopentecostais, Espírita, religiões Orientais, Afro-brasileira, dentre outras. Com estas e outras confissões, o Brasil apresenta o que pode ser chamado de território de religião popular, devido à “mistura” entre todas as religiões professas enxertadas na cultura, sendo escolhidas as formas de expressão pelos próprios professos e não partindo das orientações de alguma instituição.  É certo dizer que as expressões religiosas no Brasil irão trabalhar não só com a questão da experiência religiosa em si, mas que a religião estará ligada a questões regionais, econômicas e educacionais, o que também pode influenciar quanto ás prática, éticas e morais na sociedade.  A religião a priori é condutor, não só de experiências, mas de elementos que serão norteadores de valores. Cada indivíduo será conforme a sua confissão religiosa. A questão como desafio religioso seria de harmonizar as expressões de religião dentre às religiões, contudo ao que se parece este fenômeno, como não existe um padrão para o caso, pode tornar-se como é conhecido, por uma religião popular o que poderia agravar ainda mais. Se entendermos em senso comum que popular é pertinente ao povo, como identificar a questão religiosa em solo nacional, visto que no Brasil temos pelo menos três segmentos étnicos diferentes, a saber: indígena nativa, portuguesa e a africana. (?) Cada qual com as suas divindades e os meios para ligar-se com eles. Todas estas trouxeram consigo sua expressão religiosa e estão impregnadas na cultura nacional. Outra questão seria quanto à forma de rito para o exercício religioso. Cada religião que se apresenta estabelece regras para “educar” o religioso como professar sua fé. Tratando-se do senso comum a fé se baseia como uma crença que consiste do indivíduo investir todo o seu ser convictamente em outro ser em potencia superior ou em alguma situação relevante.  Os professos estarão exercendo as normas que a religião propõe a fim de investir em algo, o que pode ser desde os bens materiais até sua própria imortalidade. Esta visão é comumente aceita na história da humanidade, desde o tempo dos mitológicos até os dias atuais. Vale lembrar que dentro nem fora considerado de modo detalhado as confissões cristãs históricas, o que daria maior complexidade ao assunto.   

A luz da problemática no campo religioso, o que deve ser verificado são os desencadeamentos de danos e 

benefícios que podem surgir do fenômeno. Também o que pode ser verificado no mesmo contexto, seria a 

ameaça de uma disputa territorial dentre estas confissões, objetivando o maior número de adeptos, sem 

considerar os malefícios e constrangimentos que podem advir como resultado, sendo em qualquer balanço em 

perdas de identidades, não somente  sociais, mas individuais  e por isso existenciais.  


Referencia:
Formação histórica da religiosidade popular no Nordeste
Siqueira Deis – Psicologização da religião.  Brasília: Capital do Misticismo s.d

ICP 2005.
IBGE 1991.
O Brasil Místico – O Caso Rosa Cruz.
  


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Religião e globalização: O desafio de uma análise semiótica

Professor Denis batista de Souza. 

A religião sempre permeou  na historia da humanidade. Para uns, sua atenção estaria voltada para transcendência, já para outros como meio de manipulação de massa e ainda para alguns como  regras a serem cumpridas para norteamento moral na sociedade.  De qualquer forma a religião em si é vista como um fenômeno geração á geração, tendo sido contemplada e reverenciada. Por esse motivo encara-se como um fenômeno. Como ser  pensante e participante da sociedade, o homem tem dado a religião uma atenção particular e desenvolvido   função criadora de cultura e delineador da história, tentando chegar a compreensão de seu próprio universo  e de seu significado “intra-mundo”. 

A questão da religião (como ato de causa)  e da religiosidade (forma estética) apresentarem uma experiência  mais subjetiva do que objetiva, é necessário apontar que ambas alcançam proporções cosmológicas no contexto mundial. O mundo de hoje passou a repensar mais no fator religioso que tempos atrás. A exemplo, podemos citar que as universidades, confessas ou não tem oferecido em seus cursos, disciplinas associadas ao tema (CAMURÇA, 2008). Este fator não é mais restrito um determinado grupo, apesar de suas formas de ritos serem restritos de certa forma aos fiéis, o que pode ser chamado de ato litúrgico,ou na sua própria visão de “propriedade mística”. Verdade é que em suma  não existe grupo ou sociedade, que simples, isolada ou complexa que não conheça ou pelo menos já ouviu falar de alguma crença em particular, não só conhece, mas reconhece a influencia religiosa, independente qual seja sua área.    

Ortiz comenta que: “Com a globalização, este conceito de religião particular, ou crenças mágicas..., já não estão tão restritas as localidades, mas alcançam fronteiras”. Sendo assim a partir do novo mundo caracterizado como o modernismo-tardio tendo rompido as suas fronteiras estando aberto para tal manifesto. No mesmo periódico Ortiz fala de religiões que são universais: Sendo elas que migram e imigram fazendo adeptos em diversas regiões em todo o mundo. Dessas ele cita  o Judaísmo, cristianismo e islamismo dentre outras. 
Se apelarmos para as questões de significado, o tocante das religiões  na globalização serve para nortear não meramente em questões éticas. Um relacionamento com a transcendência  resultaria em  padrões de comportamento social, que também denotaria a procura por um ideal, num diálogo entre  signo religioso e sua representação. As reações no meio social serão encaradas a partir de um conjunto que formam um universo idealizador que servirá de viés aprovação ou reprovação do confesso e na sociedade em que está inserido.  
Mas, qual o ponto de ligação e significância entre a religião e a globalização?  Se a religião é o anseio pela relação “eu e o tu”  entre a humanidade e o divino, ao que tudo indica, a universalização deve ser o ponto de fusão, onde a religião em sua multi-forma  tornar-se-á comum, isto é, um lugar, não geográfico, mas metafisico a todos em termos de diálogo e acesso.  Esta visão comporta um tipo de arquitetura filosófica que pode ser concebida como ciência com caráter extremamente geral e abstrato, mas ainda válido por se tratar de envolver o elemento humano.

Questões como esta  parecem que estão longe de tornar-se em um fim concreto, visto que mesmo dentro dos segmentos religiosos, as cisões idealizadas pelos próprios confessos são resultado  de não estarem concordantes em si, dentro da mesma crença religiosa e isso é algo mais comum do que se pensa. Vejamos a questão entre os muçulmanos, que em termos de agrupamentos existem mais  10 grupos, que segundo eles, seguem as diretrizes do Alcorão em sua raiz, mas cada qual parece ser levado segundo sua própria hermenêutica, fruto aliás de sua “autonomia” no que eles entendem de seu Jihad. Uma outra forma que pode ser apontado seria quanto ao conflito, que  parece mais ideológico que religioso: a tensão entre os sefarditas e asquenazes, sobre a questão não meramente de aceitação territorial, mas  em relação ideológica, histórica  e política que existe entre os dois grupos de  origem judaica.  Sendo assim, aponta-se que o fenômeno dentro da globalização está ligado a grupos que procuram uma auto-satisfação ou aperfeiçoamento, ou depuração segundo  sua óptica, talvez “redentorista”.

Se tratando do ocidente, as vias de universalidade da religião é antagônica. Se partimos do que é entendido como cristianismo, desde do período de desbravamento da América,   o continente, na tíade norte-centro-sul foi e ainda é palco de confrontos entre católicos, protestantes ou igrejas históricas, pentecostais, neopentecostais e grupos independentes. Para os dois últimos , em sua maioria, a religião é “autômato”, onde  não cria nada de novo, pois só combina interiormente o que ainda não havia na realidade exterior, mas que já poderia ter havido, ou ainda poderá acontecer. Portanto, no nível profundo da semiose, não há distâncias entre real, ciência, ficção, religião  (DOMINGOS, 2010), onde o que vale são seus dogmas axiomáticos. O que sobraria dentro de um sistema universalizante seria o direito intrínseco de uma expressão  de confissão por meio de seus signos.  
Em tese firma aqui um pilar na tentativa globalização religiosa: partindo da autonomia  não meramente do coletivo, mas do individuo para com o transcendente e, deste para com a sociedade, caberia  as fronteiras de expansão e as  meras propagandas iconográficas das expressões de fé, que resultariam numa pirâmide unilateral entre auto-perfeição, auto-realização e auto-deificação( SIQUEIRA s/d). O anti-penúltimo e penúltimo são propostos até comuns no ramo religioso, onde existe uma supervalorização do oculto. Contudo  quanto a deificação do ser, ou seja, o sujeito sendo sua própria divindade, tem-se uma visão centralizada em sim mesmo apontando para uma nova óptica da religião talvez ainda não tão bem pesquisada.

Dentro do mesmo sistema,  religião e globalização são frutos de signos, de figuras que apriori tem a função da exteriorização de algo, talvez projetados por “arquétipos totenlísticos”, que traduzem um sentimento entre passado, presente e futuro,onde a ultima exerce maior expectativa, pois é fruto de uma esperança no porvir,  que seja material ou espiritual. Qual seja a espera, a religião, visto que está ligada ao próprio mundo e  influenciado tanto cronologicamente quanto ideológico, transformou-se uma expressão imediatista e consumo, sendo por estes e outros motivos sem uma identidade.

Se tratando do próprio tema sugerido, a dificuldade da análise da religião num contexto global seja mais decisivo nos seus traços incompletos, em suas lacunas e ainda por exorcizar seu esterótipo negativo na sociedade pós-moderna. Remeto que a religião, em particular o próprio cristianismo protestante trouxe avanço e tecnologia e a reflexão da autonomia religiosa na sociedade em várias partes do mundo. Contudo vogo que o reconhecimento não precisamente consiste em coloca-la como ápice de estudo social, mas  que quer pesquisador, cientista ou filósofo, voltar os olhos para  a religião e seus  fenômenos  mesmo que contingentemente  é objeto de significância ao ser. 

Referencias bibliográficas. 
CAMURÇA, Marcelo. Ciências sociais e ciências da religião. São Paulo: Paulinas 2008
Ortiz, Renato Revista Brasileira de Ciências Sociais Vl 16. s/d
SIQUEIRA Deis. Psicologização das Religiões: Religiosidade e Estilo de Vida. s/d
UMESP - ESTUDOS de RELIGIÃO.  Revista Semestral de Estudos e Pesquisas em Religião. Ano XII, no. 15 São Paulo: 1998.