Professor Denis batista de Souza.
A religião sempre permeou na historia da humanidade. Para uns, sua atenção estaria voltada para transcendência, já para outros como meio de manipulação de massa e ainda para alguns como regras a serem cumpridas para norteamento moral na sociedade. De qualquer forma a religião em si é vista como um fenômeno geração á geração, tendo sido contemplada e reverenciada. Por esse motivo encara-se como um fenômeno. Como ser pensante e participante da sociedade, o homem tem dado a religião uma atenção particular e desenvolvido função criadora de cultura e delineador da história, tentando chegar a compreensão de seu próprio universo e de seu significado “intra-mundo”.
A questão da religião (como ato de causa) e da religiosidade (forma estética) apresentarem uma experiência mais subjetiva do que objetiva, é necessário apontar que ambas alcançam proporções cosmológicas no contexto mundial. O mundo de hoje passou a repensar mais no fator religioso que tempos atrás. A exemplo, podemos citar que as universidades, confessas ou não tem oferecido em seus cursos, disciplinas associadas ao tema (CAMURÇA, 2008). Este fator não é mais restrito um determinado grupo, apesar de suas formas de ritos serem restritos de certa forma aos fiéis, o que pode ser chamado de ato litúrgico,ou na sua própria visão de “propriedade mística”. Verdade é que em suma não existe grupo ou sociedade, que simples, isolada ou complexa que não conheça ou pelo menos já ouviu falar de alguma crença em particular, não só conhece, mas reconhece a influencia religiosa, independente qual seja sua área.
Ortiz comenta que: “Com a globalização, este conceito de religião particular, ou crenças mágicas..., já não estão tão restritas as localidades, mas alcançam fronteiras”. Sendo assim a partir do novo mundo caracterizado como o modernismo-tardio tendo rompido as suas fronteiras estando aberto para tal manifesto. No mesmo periódico Ortiz fala de religiões que são universais: Sendo elas que migram e imigram fazendo adeptos em diversas regiões em todo o mundo. Dessas ele cita o Judaísmo, cristianismo e islamismo dentre outras.
Se apelarmos para as questões de significado, o tocante das religiões na globalização serve para nortear não meramente em questões éticas. Um relacionamento com a transcendência resultaria em padrões de comportamento social, que também denotaria a procura por um ideal, num diálogo entre signo religioso e sua representação. As reações no meio social serão encaradas a partir de um conjunto que formam um universo idealizador que servirá de viés aprovação ou reprovação do confesso e na sociedade em que está inserido.
Mas, qual o ponto de ligação e significância entre a religião e a globalização? Se a religião é o anseio pela relação “eu e o tu” entre a humanidade e o divino, ao que tudo indica, a universalização deve ser o ponto de fusão, onde a religião em sua multi-forma tornar-se-á comum, isto é, um lugar, não geográfico, mas metafisico a todos em termos de diálogo e acesso. Esta visão comporta um tipo de arquitetura filosófica que pode ser concebida como ciência com caráter extremamente geral e abstrato, mas ainda válido por se tratar de envolver o elemento humano.
Questões como esta parecem que estão longe de tornar-se em um fim concreto, visto que mesmo dentro dos segmentos religiosos, as cisões idealizadas pelos próprios confessos são resultado de não estarem concordantes em si, dentro da mesma crença religiosa e isso é algo mais comum do que se pensa. Vejamos a questão entre os muçulmanos, que em termos de agrupamentos existem mais 10 grupos, que segundo eles, seguem as diretrizes do Alcorão em sua raiz, mas cada qual parece ser levado segundo sua própria hermenêutica, fruto aliás de sua “autonomia” no que eles entendem de seu Jihad. Uma outra forma que pode ser apontado seria quanto ao conflito, que parece mais ideológico que religioso: a tensão entre os sefarditas e asquenazes, sobre a questão não meramente de aceitação territorial, mas em relação ideológica, histórica e política que existe entre os dois grupos de origem judaica. Sendo assim, aponta-se que o fenômeno dentro da globalização está ligado a grupos que procuram uma auto-satisfação ou aperfeiçoamento, ou depuração segundo sua óptica, talvez “redentorista”.
Se tratando do ocidente, as vias de universalidade da religião é antagônica. Se partimos do que é entendido como cristianismo, desde do período de desbravamento da América, o continente, na tíade norte-centro-sul foi e ainda é palco de confrontos entre católicos, protestantes ou igrejas históricas, pentecostais, neopentecostais e grupos independentes. Para os dois últimos , em sua maioria, a religião é “autômato”, onde não cria nada de novo, pois só combina interiormente o que ainda não havia na realidade exterior, mas que já poderia ter havido, ou ainda poderá acontecer. Portanto, no nível profundo da semiose, não há distâncias entre real, ciência, ficção, religião (DOMINGOS, 2010), onde o que vale são seus dogmas axiomáticos. O que sobraria dentro de um sistema universalizante seria o direito intrínseco de uma expressão de confissão por meio de seus signos.
Em tese firma aqui um pilar na tentativa globalização religiosa: partindo da autonomia não meramente do coletivo, mas do individuo para com o transcendente e, deste para com a sociedade, caberia as fronteiras de expansão e as meras propagandas iconográficas das expressões de fé, que resultariam numa pirâmide unilateral entre auto-perfeição, auto-realização e auto-deificação( SIQUEIRA s/d). O anti-penúltimo e penúltimo são propostos até comuns no ramo religioso, onde existe uma supervalorização do oculto. Contudo quanto a deificação do ser, ou seja, o sujeito sendo sua própria divindade, tem-se uma visão centralizada em sim mesmo apontando para uma nova óptica da religião talvez ainda não tão bem pesquisada.
Dentro do mesmo sistema, religião e globalização são frutos de signos, de figuras que apriori tem a função da exteriorização de algo, talvez projetados por “arquétipos totenlísticos”, que traduzem um sentimento entre passado, presente e futuro,onde a ultima exerce maior expectativa, pois é fruto de uma esperança no porvir, que seja material ou espiritual. Qual seja a espera, a religião, visto que está ligada ao próprio mundo e influenciado tanto cronologicamente quanto ideológico, transformou-se uma expressão imediatista e consumo, sendo por estes e outros motivos sem uma identidade.
Se tratando do próprio tema sugerido, a dificuldade da análise da religião num contexto global seja mais decisivo nos seus traços incompletos, em suas lacunas e ainda por exorcizar seu esterótipo negativo na sociedade pós-moderna. Remeto que a religião, em particular o próprio cristianismo protestante trouxe avanço e tecnologia e a reflexão da autonomia religiosa na sociedade em várias partes do mundo. Contudo vogo que o reconhecimento não precisamente consiste em coloca-la como ápice de estudo social, mas que quer pesquisador, cientista ou filósofo, voltar os olhos para a religião e seus fenômenos mesmo que contingentemente é objeto de significância ao ser.
Referencias bibliográficas.
CAMURÇA, Marcelo. Ciências sociais e ciências da religião. São Paulo: Paulinas 2008
Ortiz, Renato Revista Brasileira de Ciências Sociais Vl 16. s/d
SIQUEIRA Deis. Psicologização das Religiões: Religiosidade e Estilo de Vida. s/d
UMESP - ESTUDOS de RELIGIÃO. Revista Semestral de Estudos e Pesquisas em Religião. Ano XII, no. 15 São Paulo: 1998.
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