quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Religião no Brasil in centelha: ensaio, realidades e a busca de uma identificação religião popular.

O trabalho de análise da filosofia da religião vai tornando-se cada vez mais árdua á medida que este campo se depara com a questão da realidade de cada fenômeno religião em si. Neste processo há de perceber que em particularidades, estes não são iguais, tendo construtos distintos que em si carregam características de suas raízes nativas. Tratando-se do Brasil como nação e solo fértil em termos culturais, sabe-se que este é um país religioso por natureza. Primeiro por se tratar de um território que a priori fora colonizado por uma nação católica: Portugal. Outra questão seria que desde os primórdios do Brasil colônia, a mão de obra escrava provinha dos indígenas nativos ou oriundos das terras africanas transportados pelos navios negreiros que traziam consigo toda uma estrutura religiosa de suas heranças culturais. Em último lugar com a globalização e o rompimento de fronteiras, cada vez mais existe a comunicação entre brasileiros com etnias de outros países, o que facilita um diálogo no âmbito religioso e a troca de caracteres neste campo.   Com essa interação entre os povos vizinhos a assimilação de resquícios sócio-religiosos, propõe-se uma religião sincretista e não ecumenista, que agregue a todos. É notório apontar que apesar de análogo, existe uma diferencia entre ambos os casos. Apesar de estarem no campo religioso consistem em características próprias. Dentro de um entendimento lato o primeiro seria a junção de dois ou mais elementos culturais (religiosos) antagônicos onde um destes é conservado seus sinais originais. O segundo denota como um movimento que busca a união de todas as igrejas Cristãs em uma só.
 Neste âmbito é contestável dizer que o Brasil (ao logo de seus 511 anos)  assimilando posições sócio-religiosas,  suma teria só um eixo-base, a própria religião em essência, preservando um núcleo, e tendo variações fenomenológicas.   Também se pode identificar que Brasil como um país em si, identificasse como uma nação “dualista” em termos de expressões confessionais históricas. Identificasse em primeira instancia, por um país de religião oficial (Cristianismo-católico), com uma liturgia e uma teologia bem definida, e em segunda instancia identificasse um país cuja religião seria popular onde esta elabora seus ritos e símbolos como forma de expressão religiosa.
Talvez a questão do sincretismo brasileiro devesse a procura da expressão mística na experiência religiosa por razões individualistas e não coletivas.
Parece que quanto mais oculto, secreto, misterioso for á experiência religiosa, mais esta chamará a atenção do individuo.
Entende-se por místico como uma expressão religiosa que permite ao “crente” uma relação imediata com “transcendente” e interaçãoOutra definição pode ser dada como um sentido oculto; esotérico; espiritualidade alegórica. Sendo assim misticismo tem uma inclinação para uma crença religiosa e dogmática de problemas transcendentais e misteriosos. Por esse motivo pode-se dizer que não existe o fator místico sem o religioso, que exerce um elemento fundamental no contexto brasileiro, dando-lhe vida num conceito de ligação ao transcendental. Pode-se citar vários exemplos no tocante da religião e o místico no povo brasileiro, desde o folclore até as formas de religiões consideradas como oficiais em expressão. Em Psicologização das religiões, Deis Siqueira aponta como este fenômeno abrange cada vez mais o solo nacional nas mais diversas camadas. Vejamos a leitura que fez da capital brasileira (Brasília) a exemplo:

“Brasília nasceu a partir de dois grandes mitos de criação: a Cidade Utópica e a Terra Prometida. O primeiro está inscrito no planejamento urbano e na arquitetura futurista do Plano Piloto: aí haveria divisões de classe social. Os fundadores da cidade estavam imbuídos do sonho e da missão de inaugurar um novo tempo e uma nova civitas para o Brasil, fundada no belo, na igualdade e na universalidade... Não nos cabe aprofundar, no momento, os motivos que não permitiriam o mito futurista. Tampouco podemos argumentar com os místicos-esotéricos em que medida região seria predestinada... O Fato é que pessoas continuam a chagar na região em busca da Terra Prometida ou da Capital do terceiro Milênio. Lenda Tornou-se fato... A profecia do Santo foi se materializando. Na Capital e na Região, há um número cada vez maior de pessoas e de grupos que estão tentando construir uma nova consciência religiosa... na construção de uma nova visão, holística, do mundo”

A interpretação de Deis alega que com a construção de Brasília, a exemplo, não constitui uma evolução progressista como nação independente apenas ao que se segue, mas que dos olhares de alguns, a cidade foi considerada com ícone de uma nova era do qual religião representada pelo místico a favorecer como algo singular, capaz de emanar algum poder que resultará na “espiritualidade” das pessoas. Daí do êxodo para aquela região em particular. Aponto que é um exemplo das mais variadas formas de expressão de religião no Brasil. Entendesse segundo o IBGE que o Brasil é caracterizado pelos seguintes segmentos religiosos católicos, evangélicos tradicionais, neopentecostais, Espírita, religiões Orientais, Afro-brasileira, dentre outras. Com estas e outras confissões, o Brasil apresenta o que pode ser chamado de território de religião popular, devido à “mistura” entre todas as religiões professas enxertadas na cultura, sendo escolhidas as formas de expressão pelos próprios professos e não partindo das orientações de alguma instituição.  É certo dizer que as expressões religiosas no Brasil irão trabalhar não só com a questão da experiência religiosa em si, mas que a religião estará ligada a questões regionais, econômicas e educacionais, o que também pode influenciar quanto ás prática, éticas e morais na sociedade.  A religião a priori é condutor, não só de experiências, mas de elementos que serão norteadores de valores. Cada indivíduo será conforme a sua confissão religiosa. A questão como desafio religioso seria de harmonizar as expressões de religião dentre às religiões, contudo ao que se parece este fenômeno, como não existe um padrão para o caso, pode tornar-se como é conhecido, por uma religião popular o que poderia agravar ainda mais. Se entendermos em senso comum que popular é pertinente ao povo, como identificar a questão religiosa em solo nacional, visto que no Brasil temos pelo menos três segmentos étnicos diferentes, a saber: indígena nativa, portuguesa e a africana. (?) Cada qual com as suas divindades e os meios para ligar-se com eles. Todas estas trouxeram consigo sua expressão religiosa e estão impregnadas na cultura nacional. Outra questão seria quanto à forma de rito para o exercício religioso. Cada religião que se apresenta estabelece regras para “educar” o religioso como professar sua fé. Tratando-se do senso comum a fé se baseia como uma crença que consiste do indivíduo investir todo o seu ser convictamente em outro ser em potencia superior ou em alguma situação relevante.  Os professos estarão exercendo as normas que a religião propõe a fim de investir em algo, o que pode ser desde os bens materiais até sua própria imortalidade. Esta visão é comumente aceita na história da humanidade, desde o tempo dos mitológicos até os dias atuais. Vale lembrar que dentro nem fora considerado de modo detalhado as confissões cristãs históricas, o que daria maior complexidade ao assunto.   

A luz da problemática no campo religioso, o que deve ser verificado são os desencadeamentos de danos e 

benefícios que podem surgir do fenômeno. Também o que pode ser verificado no mesmo contexto, seria a 

ameaça de uma disputa territorial dentre estas confissões, objetivando o maior número de adeptos, sem 

considerar os malefícios e constrangimentos que podem advir como resultado, sendo em qualquer balanço em 

perdas de identidades, não somente  sociais, mas individuais  e por isso existenciais.  


Referencia:
Formação histórica da religiosidade popular no Nordeste
Siqueira Deis – Psicologização da religião.  Brasília: Capital do Misticismo s.d

ICP 2005.
IBGE 1991.
O Brasil Místico – O Caso Rosa Cruz.
  


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